Tudo que precisas de saber para gerir as tuas finanças

Em abril de 1997, Robert Kiyosaki lançava “Rich Dad Poor Dad”, um livro de finanças pessoais que viria a ser considerado um dos mais importantes de todos aqueles alguma vez publicados sobre o tema. Um autêntico guia para todos os que procuram a liberdade financeira, que apresenta uma filosofia e um conjunto de princípios que qualquer pessoa, nomeadamente as mais jovens, devem seguir.

A sua mensagem introduz uma máxima conhecida: “os ricos não trabalham por dinheiro; o dinheiro trabalha para si”. Quer isto dizer que a liberdade financeira é atingida no momento em que nos libertamos da chamada “rat race” – a armadilha na qual nos encontramos quando trabalhamos todos os dias por conta de outrem por uma remuneração fixa – e aplicamos o nosso dinheiro em ativos que nos entregam fluxos de caixa.

Importa, para isso, perceber que por muito que a definição contabilística dos conceitos de “ativo” e “passivo” possa sugerir algo diferente e mais elaborado, a crua e simples diferença entre um ativo e um passivo é que o primeiro coloca dinheiro no nosso bolso, enquanto que o segundo tira dinheiro do mesmo. Percebendo isto, o caminho para a liberdade financeira faz-se comprando ativos. Esta não é a regra mais importante: é a única regra.

Assim, “vivermos do nosso negócio” não significa necessariamente iniciar uma empresa e aproveitar os rendimentos que possam resultar dos seus lucros. Podemos simplesmente ter o nosso dinheiro investido em ativos como ações, obrigações, propriedades imobiliárias geradoras de rendimento, royalties, aplicações de crédito, empresas que não exijam a nossa presença, entre outros, e viver dos fluxos de caixa que esses nos entregam, reinvestindo parte dos mesmos na criação de novos e mais ativos que, por si, irão gerar mais rendimentos, criando um virtuoso ciclo que nos permitirá crescer financeiramente. Os seguintes mapas de fluxos de caixa ilustram a diferença entre a organização financeira daqueles que trabalham por dinheiro e daqueles que têm o dinheiro a trabalhar para si:

O primeiro passo é, por isso, a elaboração do nosso mapa de fluxos de caixa pessoal numa base mensal, por exemplo. Nele deve constar o valor de todos os nossos ativos, como valor em contas bancárias, depósitos a prazo, ou qualquer um dos outros acima referidos, o valor dos nossos passivos, isto é, obrigações incorridas que implicarão uma saída de dinheiro, bem como os rendimentos e os gastos que esperamos obter nesse mês, sejam eles gerados pelos nossos ativos ou pelo nosso trabalho. Este planeamento permitir-nos-á:

  • ter uma correta perceção da nossa posição financeira no momento atual – a diferença entre os nossos ativos e passivos representa o nosso património líquido – e no curto prazo – a diferença entre os rendimentos e despesas orçamentadas indica a evolução desse património durante o período considerado-;
  • viver de acordo com a folga orçamental existente, ou seja, saber até quanto podemos gastar e em quais despesas poderemos incorrer sem comprometer as nossas finanças, o que nos proporciona alguma paz e redução do stress que sentimos fruto da incerteza quanto ao impacto que a compra de um par de ténis ou um jantar com amigos terá nas nossas contas;
  • remar no sentido da liberdade financeira – crescer o valor da conta de ativos no nosso mapa para que os mesmos sejam capazes de entregar rendimentos sucessivamente superiores.
Texto da autoria de Ricardo Taveira, Diretor Executivo Financeiro da Young Minho Enterprise.