Mais um produto na
prateleira? Mude a narrativa.

Em 2019, Philip Kotler disse “eu não acredito que a nova onda do marketing online venha a substituir o legado do marketing offline. De facto, acredito que devem coexistir para fornecerem a melhor experiência do consumidor.”

Vivemos, em Portugal, cada vez mais, uma sociedade tecnológica e digital. A penetração da internet, no nosso país, é hoje superior a 80% e o uso das redes sociais faz parte da nossa rotina diária. Por isso, se é premente as marcas terem uma pegada digital, também é importante perceber que a forma como as marcas estão presentes no mundo offline é relevante, seja através de cartazes, flyers, rótulos, packaging ou outros é importante que o façam de forma estratégica e integrada. 

Na área do design é crucial perceber que o resultado nunca é sobre aquilo que nós, preferencialmente, gostamos, mas sim sobre aquilo que cumpre os objetivos pelo qual a arte é produzida e que acima de tudo vai de encontro ao nosso público-alvo e ao nosso tom e forma de comunicar. Todas as peças de design têm de ser coerentes e consistentes, isto é, devem ter uma base comum que respeita o brand book

De forma reducionista, o que distingue a marca x da marca y é a forma como esta comunica com o consumidor, ou seja, é a forma como consegue resolver os seus medos e as suas dúvidas. Numa marca tudo comunica. A forma como os produtos ou rótulos são exibidos numa prateleira – seja esta digital ou não – funciona como um estímulo que vai provocar uma interpretação no nosso consumidor e, por isso, nós devemos tentar assegurar que a nossa arte final é produzida para o público certo, possuidor das ferramentas necessárias, para interpretar a nossa mensagem de forma adequada. 

Como sugestão para que consiga mudar a narrativa do design dos seus produtos sugiro que:

  • Analise – analise o seu público-alvo, a sua área de negócio e os outros players no mercado. Reúna com essa análise as melhores práticas. Defina aquilo que pode resultar ou não para a sua organização;
  • Objetivos – Defina o porquê do seu produto, defina a mensagem que pretende passar, a solução que oferece para um determinado problema. Sempre que tiver dúvidas se algo deve ser alterado recorde o porquê. 
  • Priorize a função/solução acima do design, mas sem nunca descartar o sentido estético e apelativo que o produto deve ter;
  • Esteja atento a contornos legais que exigem uma presença especial de determinados elementos no seu rótulo;
  • Por último, não se esqueça de que “menos é mais” e, por isso, seja minimalista, pois ser simples não é o mesmo que ser-se simplista. Assim, descarte todos os elementos que não cumprem uma determinada função e que possam estar a comprometer a leitura dos seus produtos. 
 

 

Inês Dias

Membro alumni | Dept. de Comunicação e Mkt.